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Jungle fever

Outubro 2, 2008 · 5 Comentários

Dêem uma olha da foto abaixo:

Clique na imagem, veja em sua total exuberância. Olhe, re-olhe, olhe mais uma vez. Aposto que a princípio você deve ter pensado “uma bela floresta, é real ou CG” até que viu o HUD de mapa e a barra de life e pensou “que cacete, isso é um jogo?”.

Pra quem passou os últimos 12 meses numa nave espacial, isso aí é um frame tirado de Crysis, obra-prima da softhouse alemã-búlgara Crytek e que nesses tempos onde fazer um jogo exclusivo de PC é algo que quase que se restringe a RPGs online, continua firme e forte no PC. Ele foi financiado pela Intel e pela NVidia (fabricantes de processadores e placas de vídeio, respectivamente) para permanecer como pc-only de modo a dar uma levantada no mercado de jogos só para PC, que está decadente. Desde que o PSOne chegou ao mercado com seu hardware razoávelmente robusto e sua mídia de grande espaço (ao contrário dos cartuchos até então), começou a cair a barreira que separava os jogos “de pc” e “de games”. FPSs começaram a sair mais constantemente em consoles (em especial na era PS2, quando se popularizou o joystick de dois anallógicos – que fazia as vezes do combo “mouse+teclado”), adventures começavam a pipocar nso videogames pela primeira vez desde a época do 8 Bits (quando o saudoso NES teve alguns adventures pc-like como Maniac Mansion portados pra ele, ou mesmo muitos jogos de aventura do NES tinham elementos de adventures como Dick Tracy, Roger Rabbit, etc.), enfim, comçava a cair a barreira. Se no que se diz de jogos orientais, o fino sempre esteve nos videogames, mas até hoje aqui no Brasil têm-se a imagem de que jogos ocidentais não teriam a mesma “magia” dos jogos do outro lado do mundo (leia-se “Japão”). Mas o que o Otaku haters não consideram é que até pouco tempo o PC era quase que uma exclusividade de quem tinha um bom dinheiro, portanto, é desconhecido (ou menos conhecido do que deveriam) do grande público brasileiro obras-primas como Neverwinter Nights, Fallut 1 e 2, Duke Nukem 3D, etc.

Nageração PS2, também foi a “geração XBox”, a caixa preta da empresa do Tio Bill que viria de vez sepultar a barreira entre o PC e o videogame: se obras-primas como “Star Wars – The Knights of the Old Republic”, “Doom 3″ e “Half-Life 2″ não saiam no PS2 ou por exclusividade de contrato com a Microsoft ou por falta de hardware, no more problems> o XBox era uma máquina parruda, com HD interno e um poderio de processamento gráfico inigualável, na época.

A geração atual é um reflexo dessa barreira morta entre os PCs e os consoles: cada vez mais, jogos que antes eram franquias exclusivas de PC (só pra citar alguns que vão sair esse mês, temos Fallout 3 e Sacred) saindo também para os poderosos PS3 e Xbox 360 (o Wii por seu hardware defasado e público casual, obviamente fica de fora). Aí que a Crytek faz? Não só lança um exclusivo de custo milionário, Crysis, como também lan~ça uma expansão, também only for pc. O problema é: vai dar grana?

Um dos motivos do mercado de jogos para PCs te decaído monstruosamente é a pirataria, o advento dos torrents (que é muito melhor que os Emule e similares da vida) permitiu que qualquer carinha com uma conexão razoável economizasse 60 dólares fácil. Nos consoles também há pirataria, mas a mesma exige algumas modificações no hardware do mesmo e até a implantação de chips – já nos PCs, basta baixar um crack de 5 mb. Crysis, mesmo com todo o marketing e alardamentos sobre seus gráficos foto-realistas, peidou pra chegar a 1 milhão de cópias vendidas (prum jogo que custou 15 milhões de dólares, é pouco, cheogu a se pagar, mas não deu quase nada de lucro). Além da pirataria, outra coisa que irrita em Crysis e que sempre me irritou em jogar no PC (por isso, sempre joguei jogos com mais de 4 anos nessa plataforma)
é os requisitos de sistema: a foto acima, foi feita com o jogo ligado em tudo no Very High, com AA a 16x. O PC é um Core 2 Quad da Intel, com três, eu disse TRÊS placas NVidia 9800 GT ligadas em SLI, 4 gb de ram e instalado em um HD ligado por SATA2 – ou seja, é um pc de uns 4 mil reais, sem contar o monitor, caixa de som, placa de som fodona, sistema de áudio 5.1, etc. Aì você pode pensar “pô, mas os gráficos ficaram lindões e a performance deve ser boa!”. Aí é que tá: o jogo NÃO está rodando a 30 frames/s sólidos. Quando tem explosões, muito inimigos em tela ou quando chega na MALDITA fase do gelo (quem jogou sabe do que falo), o jogo dá slowndowns que deixam-no quase injogável. Vale a pena gastar o dinheiro que vc poderia comprar os três concoles da nova geração mais um DS ou PSP e ainda não rodar um dos ÚNICOS exclusivos decentes que essa plataforma tem? Fica aí a dúvida, e deixo no ar a seguinte pergunta: porque será que sofhouses como a Blizzard, a Valve e umas poucas, poucas outras conseguem lucrar nos pcs? Será que tem a ver com seus jogos apostarem mais em funcionalidades exclusivas do PC, em mecânicas bacanas E fazendo jogos que não exigem muito do hardware?

por Diogenes L. Cesar

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